segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Mostra - Wood Allen


Mostra - Wood Allen

de 11 a 31 de agosto de 2011 no Cine UFG

Sessões às 12:00h e às 17:30h.

Ingressos:
Inteira- R$ 6,00
Meia - R$ 3,00

Contato CINE UFG: 3521-1267

e-mail: cineufg@gmail.com



Programação: http://www.proec.ufg.br/site/images/stories/paginaInicial/cine_ufg/programao_wood_allen.jpg

Festival do Boneco



A segunda edição do Festival do Boneco fortalece aspectos de formação e qualificação profissional numa programação que contempla espetáculos, oficinas e debates, atividades dedicadas à democratização do acesso de uma das áreas mais fascinantes das Artes Cênicas, o Teatro de Formas Animadas.

Realizado pela Ação Produtora de Eventos e pela Cia de Teatro Nu Escuro, o projeto conta com o apoio institucional da Lei Municipal de Incentivo a Cultura.

Mais uma vez, o Festival do Boneco traz para Goiânia produções internacionais e nacionais, que representam a diversidade de linguagem desta arte milenar da manipulação de seres inanimados, mas cheios de vida!

O Festival do Boneco é também uma oportunidade de contemplar e estimular a produção artística do Estado. Mais que uma janela pontual para a exibição do trabalho local, o projeto busca potencializar o movimento permanente de articulação entre a comunicação artística, empresários e governos na consolidação de uma política pública efetiva para a Cultura em Goiás.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Programetes e radionovelas de alunos de publicidade da Alfa tratam de meio ambiente

Faculdades Alves Faria

Unidade Perimetral
Bloco B
De 01 a 10 de junho de 2011
Orientação dos trabalhos do professor Ms. Marcelo Costa

Alunos de publicidade da Alfa fazem exposição de trabalhos gráficos

Faculdades Alves Faria
Unidade Perimetral
Bloco B
De 01 a 10 de junho de 2011
Orientação dos trabalhos do professor Ms. Marcelo Costa

terça-feira, 17 de maio de 2011

Lançamento do XIII FICA



DATA:17/05


HORÁRIO: Às 19h

LOCAL: Jardins do Palácio das Esmeraldas

O XIII Fica será realizado no período de 14 a 19 de junho, na Cidade de Goiás, como lema "Preservar também é arte". Assim como acontece em cada edição, em que um artista goiano é homenageado, o festival deste ano terá todo o material gráfico ilustrado pela obra São Miguel Arcanjo, de autoria de Veiga Valle, santeiro de expressão, considerado a maior referência da arte sacra goiana.


Para a Mostra Competitiva de filmes, foram selecionadas 30 produções (7 longas-metragem, 6 médias, 14 curtas e 3 séries de televisão), provenientes de 7 países: Brasil (com 21 produções), França e República Tcheca (cada país com 2 produções), além de Itália, Holanda, Chile, China e Armênia (cada país com 1 produção). Da seleção brasileira de filmes e vídeos ambientais, participam 8 estados: Rio de Janeiro (5 produções), São Paulo (4 produções), Pernambuco (3 produções), Ceará (2 produções), além de Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Minas Gerais (1 produção por estado). O Estado de Goiás participa da competição com 4 documentários em curta-metragem. Grande parte dos títulos selecionados é constituída por documentários (25 produções), seguida pelas obras de animação (3) e ficção (2).

Com foco na temática cinematográfica e ambiental, o Fica conquistou um lugar definitivo no restrito círculo dos que integram o Fórum Internacional de Festivais de Cinema Ambiental.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

‘Cordel Encantado’: a vitória da fábula

BOA AUDIÊNCIA DA NOVELA DAS SEIS DA GLOBO,UMA SUPER-PRODUÇÃO COM ESTÉTICA CINEMATOGRÁFICA, MOSTRA A FORÇA DAS TRAMAS DE ÉPOCA E, PRINCIPALMENTE, DA REALIDADE DE FANTASIA FEITA PARA CONSUMO E ENTRETENIMENTO



Beatriz Souza

A novela Cordel Encantado encontrou uma fórmula mágica. Nela se misturam elementos de contos de fadas, toques de misticismo, reis medievais e cangaceiros nordestinos. A tecnologia também tem um papel importante: o folhetim é uma super-produção, com toques verdadeiramente cinematográficos. E o público reagiu bem. Há menos de um mês no ar,Cordel Encantado registra uma audiência média de 26 pontos e picos de 28 - resultados excelentes para o seu horário. Na grade de programação da Rede Globo, o horário das seis sempre foi reservado às novelas amenas, que acenam com uma fuga da realidade. Cordel Encantado obedece a essa tradição, ao mesmo tempo em que a renova de maneira notável. É o tipo de façanha que não se alcança todo dia. Como se disse, uma fórmula mágica.

Cordel Encantado conta a história da princesa Aurora - Açucena (Bianca Bin), do reino de Seráfia do Norte. Ela foi separada do pai quando bebê durante uma viagem ao Brasil, devido ao plano da divertida vilã Úrsula (Débora Bloch) de fazer de sua filha a futura rainha. Na cidade de Brogodó, onde é criada por uma família adotiva, ela se apaixona por Jesuíno (Cauã Reynold), filho – também apartado – de Herculano (Domingos Montagne), o rei do cangaço. Essa mistura de cangaço e realeza num universo atemporal, digna de Ariano Suassuna, conduz o espectador à fantasia. “Ao unir a corte europeia ao sertão nordestino, a novela trabalha aspectos da imaginação popular”, diz Mauro Alencar, autor de A Hollywood Brasileira – Panorama da Telenovela no Brasil (Senac).

A combinação de referências, entre as quais se incluem também os contos de fada e o cordel, forma de literatura popular nordestina, leva o espectador a fantasiar. Propõe a ele uma ruptura com o realismo, gênero que vem dando sinais de esgotamento no horário das nove. Esses mesmos elementos de cordel e fábulas remetem a formas de viver que não se questionam, porque já estão dadas há anos – e até há séculos. Num tempo em que até as relações familiares mais básicas passam por transformações, esse contato com o passado e a tradição - ainda que num pequeno intervalo no final da tarde - pode ser uma espécie de bálsamo.

Imaginário – As referências ao cordel estão por toda a trama. A história de Açucena, uma princesa perdida que descobre quem realmente é quando o rei de uma localidade distante vem procurá-la, é recorrente nas histórias de cordel. Segundo Aderaldo Luciano, coordenador editorial da editora Luzeiro, especializada em cordéis, a identificação do público com a novela se dá porque são personagens do povo – sempre vistos com certa benevolência pelo espectador.

Outro fator de sucesso, levantado por Esther Hambúrguer, professora de audiovisual da Universidade de São Paulo (USP), é o a mitologia em torno do cangaço, que ajuda a despertar o interesse do público. “O cangaço é uma referência forte na cultura nordestina e está espalhada por todo o país”, afirma. Os cangaceiros são presença fundamental no cordel, em que são representados como heróis. “A novela retoma a valorização do cangaço na cultura brasileira.”

História da história – Não menos importante para explicar o bom desempenho da novela das seis é o talento da dupla Thelma Guedes e Duca Rachid. Embora retrabalhem temas antigos, por vezes arcaicos, fixados no fundo do imaginário social, elas conseguem injetar vivacidade nas tramas. Colegas são unânimes em elogiá-las.

Cordel Encantado é a terceira parceria das autoras. A novela passou cinco anos na gaveta, à espera do aval da produção da Globo. Quando a dupla apresentou à emissora a sinopse da trama, o canal estava se decidindo a dar um tempo nas novelas de época. Haviam acabado de ser exibidas Alma Gêmea (2005) e O Profeta (2006) e Desejo Proibido (2007) estava a caminho – todas ambientadas na primeira metade do século XX.

O remake de O Profeta, trama espírita de Ivani Ribeiro exibida pela primeira vez nos anos 1970, foi, aliás, a inauguração da parceria entre Thelma e Duca. Uma estreia bem sucedida: com média de 32 pontos no Ibope, ela chegou a empatar com Paraíso Tropical, que na época estava no ar no horário das nove. Cordel Encantado faz algo semelhante, passando em audiência a novela das sete, Morde & Assopra.

Depois da mística O Profeta, a emplacou mais um sucesso no horário das seis, Cama de Gato, espécie de conto de fada moderno estrelado por Camila Pitanga e Marcos Palmeira. Ali, alcançaram 24 pontos de média no Ibope, número que agradou à Globo. Com Cordel Encantado, a emissora sorri ainda mais. É a vitória da fábula.



 
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/%E2%80%98cordel-encantado%E2%80%99-a-vitoria-da-fabula

Carta para Dilma

Eu sou signatário, por uma cultura mais democrática, observando os avanços conquistados e vislumbrando um futuro com mais acesso e difusão cultural.
Assine você também.



Excelentíssima Presidenta Dilma Rousseff,



Esta carta é uma manifestação de pessoas e organizações da sociedade civil e busca expressar nosso extremo desconforto com as mudanças ocorridas no campo das políticas culturais, zerando oito anos de acúmulo de discussões e avanços que deram visibilidade e interlocução a um Ministério até então subalterno. Frustrando aqueles que viam no simbolismo da nomeação da primeira mulher Ministra da Cultura do Brasil a confirmação de uma vitória, essa gestão rapidamente se encarregou de desconstruir não só as conquistas da gestão anterior, mas principalmente o inédito, amplo e produtivo ambiente de debate que havia se estabelecido.

Os signatários desta carta acreditam na continuidade e no aprofundamento das políticas bem-sucedidas do governo Lula. Essas políticas estão sintetizadas no Plano Nacional de Cultura, fruto de extenso processo de consultas públicas que foi transformado em lei sancionada pelo presidente, e que agora está sendo ignorado pela ministra. Afirmamos que, se a gestão anterior teve acertos, foi por procurar aproximar o Ministério das forças vivas da cultura, compreendendo que há um novo protagonismo por parte de indivíduos, grupos e populações até então tidos como “periféricos”, entendendo as extraordinárias possibilidades da Cultura Digital. Essa não é apenas uma discussão sobre ferramental tecnológico e jurídico, mas sobre todo um novo contexto criativo e cultural, pois essas tecnologias têm sido apropriadas e reinventadas em alguma medida por esses novos atores. É nesse território fundamental, da inserção da Cultura Digital no centro das discussões de políticas culturais do Ministério e da busca da capilaridade de programas como o Cultura Viva, com os Pontos de Cultura, que a Ministra sinalizou firmemente um retrocesso.

Ao bloquear o processo de reforma da lei dos Direitos Autorais, ignorando as manifestações recebidas durante 6 anos de debates, 150 reuniões realizadas em todo o país, 9 seminários nacionais e internacionais, 75 dias de consulta pública através da internet que receberam 7863 contribuições, a Ministra afronta todo um enorme esforço democrático de compreensão e elaboração. Se há uma explicação constrangedora nessa urgência em barrar uma dinâmica política tão saudável, é a de vir em socorro a instituições ameaçadas em seus privilégios, como o ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) e as associações que o compõem, que apoiaram de forma explícita e decidida as políticas culturais e o candidato derrotado no pleito eleitoral presidencial.

Mas esse “socorro”, como dissemos, se dá ao arrepio da Lei 12.343 de 2 de dezembro de 2010, que aprovou o PNC, estabelecendo claramente a obrigação de reforma da Lei dos Direitos Autorais (conforme os itens 1.9.1 e 1.9.2 que determinam “criar instituição especificamente voltada à promoção e regulação de direitos autorais e suas atividades de arrecadação e distribuição” e “revisar a legislação brasileira sobre direitos autorais, com vistas em equilibrar os interesses dos criadores, investidores e usuários, estabelecendo relações contratuais mais justas e critérios mais transparentes de arrecadação e distribuição”). Ao afirmar que o texto da lei é “ditatorial” e que a proposta construída durante o governo Lula é “controversa” e não atende os “interesses dos autores”, a Ministra deliberadamente mistura o interesse dos criadores com o dos intermediários, e contrabandeia para o seio do governo Dilma precisamente as posições derrotadas com a eleição da Presidenta.

A questão da retirada da licença Creative Commons do portal do MinC também merece ser mencionada, por seu simbolismo. O Ministério da Cultura do governo Lula foi pioneiro em reconhecer que as leis de direito de autor estão em descompasso com as práticas desta época, e que seria imperioso aprimorá-las em favor dos criadores e do amplo acesso à cultura. Esse avanço foi expresso no PNC no item 1.9.13, que prevê ”incentivar e fomentar o desenvolvimento de produtos e conteúdos culturais intensivos em conhecimento e tecnologia, em especial sob regimes flexíveis de propriedade intelectual”. Ao contrário do que tem dito a ministra, as licenças CC e similares visam regular a forma de remuneração do artista, e não impedi-la. Elas buscam ampliar o poder do autor em relação à sua obra e adaptar-se às novas formas de produção, distribuição e remuneração, aos novos modelos de negócio que essas tecnologias possibilitam.

Assim, entendemos que as iniciativas da atual gestão do Ministério da Cultura não são fiéis nem à sua campanha presidencial, nem ao Plano Nacional de Cultura e nem à discussão acumulada, representando, na melhor das hipóteses, um voluntarismo desinformado e desastroso, e na pior delas um retrocesso deliberado. Apoiamos a Presidenta Dilma Rousseff em sua manifestada intenção de continuar valorizando e promovendo a cultura brasileira, fortalecendo uma liderança global em discussões onde a nossa postura inovadora vinha se destacando dos modelos conservadores pregados pela indústria cultural hegemônica dos Estados Unidos e da Europa. Para isso é necessário que o Ministério da Cultura se coadune à perspectiva do governo Dilma, de compreender, aprofundar e ampliar as conquistas das políticas culturais do governo Lula.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Messalina

Nada mais instigante que a filmagem da aventura erótica de uma jovem cega. De fato, a deficiência visual não afeta a sensibilidade feminina.

Um telefone público toca insistentemente. Isabel, uma jovem cega, atende. Do outro lado da linha, um desconhecido lhe faz um convite incomum.



Gênero Ficção

Diretor Cristiane Oliveira

Elenco Charlie Severo, Liane Vanturella, Vanise Carneiro

Ano 2004

Duração 15 min

Cor Colorido


quarta-feira, 16 de março de 2011

"A criação geme em dores de parto"

Dom Aloísio Roque Oppermann scj
Arcebispo de Uberaba - MG




A terra, dentro do contexto dos astros, possui dimensões muito modestas. Até pobres. Não passa de um grão de areia diante do tamanho ciclópico de algumas estrelas, ou, pior ainda, diante do tamanho das galáxias. Mas como a história do big bang nos leva a concluir, todo o universo é antrópico. Isso é, desde o primeiro bilionésimo de segundo as coisas foram se direcionando, para que como término da obra da criação aparecesse o ser humano, o topo da criação visível. Para que a vida, em sua constituição mais complexa, pudesse aparecer, fez-se necessário um hábitat, uma casa, onde toda a vida vegetal e animal pudesse se estabelecer. Eu não vou agradecer à terra, nem ao big bang, nem à natureza, os imensos privilégios com que fomos distinguidos. Essa abundância de seres e de vida foi planejada pelo Pai Criador, que quis isso tudo, dizendo sua Palavra. “No princípio criou Deus o céu e a terra” (Gen 1,1). A esse Deus eu agradeço, extasiado por sua sabedoria e poder. (E por seu amor por nós).

Se a terra, olhando seu tamanho relativo, é quase insignificante, suas características, favoráveis à vida são estupendas e até únicas. Nosso planeta tem água líquida, base para toda a condução da atividade vital. Tem atmosfera, com gases suficientes para purificar os processos vitais. Tem camada de ozônio, para proteger contra as irradiações devastadoras vindas de outros astros. Possui rotação constante sobre um eixo, que facilita a exposição alternada ao sol, evitando o frio absoluto ou o calor excessivo. Tem uma distância ideal do sol para manter uma temperatura necessária para a vida. Paremos por aqui. Os outros planetas todos, ou são uma fornalha de calor, ou uma geladeira total. Não tem atmosfera, não tem defesa contra os raios perniciosos; são secos, sem água líquida; giram à deriva, ou nem giram nunca; a gravidade é exagerada, ou é tão fraca que tudo se perde pelo espaço... Não existe planeta gêmeo da terra. Então vamos cuidar melhor disso que recebemos como dádiva das mãos divinas. “Encham e submetam a terra” (Gen 1, 28). Isso de submeter a terra (e todo o universo) deve ser entendido no sentido de cuidar. Pode haver o uso de tudo, mas um uso sustentável, como em boa hora lembra a Campanha da Fraternidade deste ano de 2011

video

domingo, 13 de março de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Indústria cultural e manutenção do poder


A técnica permitiu a difusão da cultura para setores da população e, por outro, sacrificou a lógica da arte autônoma


Rafael Cordeiro Silva

Ilustração Adriano Paulino

“Saber é poder.” A frase de Francis Bacon (1561-1626), considerado o primeiro filósofo da modernidade, traduz a disposição do espírito humano para a investigação da natureza e a descoberta de seus segredos. O entendimento da natureza das coisas pela experimentação, ao contrário do conhecimento especulativo da tradição medieval, tornou-se o caminho para as conquistas que poderiam proporcionar ao gênero humano o melhoramento de suas condições de existência. Bacon captou muito bem o espírito de uma época que começara a perceber que o estudo da natureza poderia levar a novas descobertas e à expansão do conhecimento prático, até então considerado inferior ao conhecimento especulativo. Abriu-se, a partir desse momento, o caminho para a dominação da natureza por meio de técnicas específicas. E a utilização do método experimental com vistas a esse domínio firmou-se também como um dos pressupostos da ciência moderna.

Bacon tinha um grande fascínio pela técnica que ele conhecera em diversos livros e tratados que o precederam, de autoria de investigadores da natureza, experimentadores e construtores de máquinas e artefatos. A convicção de que esse tipo de conhecimento não poderia ser desmerecido, pois gerava resultados práticos para a vida cotidiana, animou os esforços de Bacon quanto à pretensão de sistematizar um método que garantisse maior eficácia técnica. Portanto, a junção de técnica e conhecimento experimental, que os modernos legaram a nós, contemporâneos, é o alicerce da ciência com a qual lidamos hoje.

O poder sobre a alma“A tirania deixa o corpo livre e vai direto à alma.” A frase é de Alexis de Tocqueville (1805-1859) e faz parte de sua principal obra – A Democracia na América –, publicada em duas partes entre os anos de 1835 e 1840. Na obra em questão, o pensador francês viu na busca incessante pela igualdade, característica dos federalistas norte-americanos, uma perigosa tendência para a uniformização das pessoas, para a supressão da singularidade de cada um. Embora inspirada nos ideais iluministas, a igualdade de condições entre todos os homens foi vista com desconfiança e como forte ameaça à liberdade individual. Liberdade e igualdade, dois grandes ícones da Revolução Francesa, não foram concebidos como valores complementares por Tocqueville.

Mais de um século depois, os filósofos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer retomam aquela frase em um contexto inteiramente outro. Na obra Dialética do Esclarecimento, acrescentam a continuação do texto de Tocqueville: “O mestre não diz mais: você pensará como eu ou morrerá. Ele diz: você é livre de não pensar como eu: sua vida, seus bens, tudo você há de conservar. Mas de hoje em diante será um estrangeiro entre nós”. A intenção dos pensadores alemães é denunciar as formas de dominação que não precisam sujeitar os corpos nem se impor pela violência física. Trata-se da dominação pela igualação e homogeneização, que atua no inconsciente (e até mesmo no consciente) dos indivíduos – naquilo que Tocqueville e a grande tradição filosófica denominaram “alma”. Domesticar e direcionar os desejos, com a intenção de tornar todos iguais, revelou-se mais eficaz para a continuidade da dominação do que a sujeição física. É a sujeição do querer, que se realiza sob a aparência de total liberdade, como sugere o texto de Tocqueville. Isso se dá hoje, sobretudo, pela indústria cultural.

Indústria cultural: a técnica invade a arte

A Dialética do Esclarecimento foi publicada em 1947. A obra tornou conhecido o conceito de “indústria cultural”. Hoje, o emprego neutro do termo, para descrever qualquer produção de arte que esteja voltada para o entretenimento, não deixa entrever o significado crítico com que foi concebido. Quando os autores começaram a utilizar essa terminologia, queriam analisar certas tendências sociais e estéticas e criticar o que consideravam novas formas de dominação pelo viés da cultura.

Aquela técnica, outrora saudada por Bacon como caminho inexorável para a dominação da natureza e melhoria da existência humana, agora se torna onipresente, atuando a serviço da ordem econômica capitalista. Ela ultrapassa o âmbito do mero fazer e, onipotente, se transforma em tecnologia. Adorno e Horkheimer sempre consideraram a arte como a expressão das tendências sociais e ao mesmo tempo a instância crítica dessas tendências.

O papel crítico-social da arte consolidara-se com seu próprio processo de constituição na era moderna ou burguesa, isto é, no momento em que ela deixou de estar a serviço do clero e da nobreza e ganhou autonomia. Assim, a arte não mais encontra sua razão de ser naquelas instituições mantenedoras, mas seus temas e formas dizem respeito apenas à sua lógica interna. Esse processo de autonomia da arte também se situa no período burguês, na etapa liberal do capitalismo. É a época em que se constitui um público apreciador de arte e ela deixa de estar referida ao deleite dos nobres ou à decoração de igrejas e composição do ambiente de recolhimento e encontro com Deus.Multiplicam-se os lugares destinados à apreciação da arte: não só os teatros, mas os museus e galerias culturais são destinados à fruição estética.

Adorno e Horkheimer deixam bastante claro que indústria cultural não é arte. E apontam as razões para fundamentar esse ponto de vista. Enquanto a arte autônoma diz respeito à produção da cultura iniciada na época burguesa (mas que não se esgota nesse período), a indústria cultural é mais afeita ao gosto mediano das massas, que constituem o tipo social predominante no capitalismo avançado.

Ela está referida principalmente aos meios técnicos de produção e difusão de cultura padronizada.

Seus exemplos mais típicos, segundo os autores, são o cinema, o rádio e a televisão. Essa última é vista como uma espécie de síntese dos outros dois, na medida em que reúne o alcance do rádio e as possibilidades técnicas do cinema no tratamento da imagem. Os autores afirmam: “A técnica da indústria cultural levou apenas à padronização e à produção em série, sacrificando o que fazia a diferença entre a lógica da obra e a do sistema social”. Em outros termos, enquanto a arte autônoma critica a ordem estabelecida, os produtos da indústria cultural ratificam-na sem cessar. Se, por um lado, a técnica permitiu a difusão da cultura para amplos setores da população, representando um ganho e colocando em xeque a ideia tradicional de arte e de seus modos de exposição – como pensava Walter Benjamin –, por outro, sacrificou a lógica intrínseca da arte autônoma, feriu sua autenticidade e pôs a perder sua capacidade de crítica imanente da sociedade.

Indústria cultural, mídia e o poder sobre a alma

A indústria cultural é fator de coesão social. Seu poder reside em reforçar as relações de poder estabelecidas, zelando para que a ordem dada mantenha-se constante e que o sistema que a alimenta não seja desestabilizado. Ao reforçar o caráter sempre igual das relações, a passividade diante da realidade, a ausência de crítica e o comportamento servil, ela cumpre o papel que o sistema dela espera. Nenhum esforço intelectual é exigido do ouvinte ou telespectador, o que coloca os produtos da indústria cultural em evidente oposição às obras de arte, que requerem concentração e capacidade mental para sua compreensão e fruição. A diversão, comumente usada como pretexto para o consumo da cultura padronizada, é, no fundo, a apologia da sociedade administrada. Depois de uma jornada dedicada à reprodução do capital nas fábricas e nos escritórios, nada mais salutar do que a necessidade de descanso e relaxamento que a diversão proporciona. O ciclo está completo! Assim, “a diversão favorece a resignação, que nela quer se esquecer”.

Os meios de comunicação mais frequentemente analisados por Adorno e Horkheimer foram o rádio, o cinema e a televisão. Quando da redação da Dialética do Esclarecimento, nos anos 1940, eles tinham grande poder de penetração na vida dos cidadãos norte-americanos, mais do que outras formas de difusão de cultura padronizada. Essas também foram consideradas. O mercado fonográfico e a publicidade receberam referências mais esparsas dos autores.

A publicidade serve para dar visibilidade aos produtos. É a ponte que une os dois extremos do mundo mercantilizado: de um lado a produção, de outro a recepção e o consumo. Por isso, Adorno e Horkheimer afirmam ser a publicidade o elixir da indústria cultural. Essa afirmação é tão mais verdadeira quanto mais abundam as mercadorias. A publicidade tem a tarefa de seduzir os consumidores para a aquisição dos mais variados produtos, transformando-os em bens de imediata necessidade. Seu objetivo é transformar em valor de uso uma mercadoria que só tem valor de troca, ou seja, que foi fabricada apenas para ser vendida e não para suprir determinada carência. Para isso ela se encarrega de criar uma identificação entre o produto e o comprador. Sua posição torna-se estratégica graças ao fato de cada vez mais se produzirem mercadorias que não se diferenciam quase nada entre si: marcas de carros, de telefones celulares, hits de um mesmo gênero musical, e assim por diante. O exemplo dos anúncios de marcas de cigarro, quando eram permitidos na mídia brasileira, ilustra muito bem o argumento em questão. Associar uma suposta particularidade de cada um desses produtos a um traço específico da personalidade é a forma pela qual ela logra seu intento.

Ao tentar estabelecer uma identificação entre produto e consumidor, a publicidade pretende realizar o indivíduo como tal. No entanto, como pilar da sociedade de consumo, ela consolida o processo inverso: a castração da individualidade. Não se define o indivíduo pelo incremento de sua capacidade de consumo; indivíduo e consumidor não são termos sinônimos. Na verdade, a publicidade sacrifica o indivíduo, porque reitera sua dependência em relação ao mundo das mercadorias. Em vez de fomentar as autênticas capacidades e qualidades humanas, a publicidade representa a conquista da alma.

A indústria cultural e seu braço forte, a publicidade, realizam com requinte e maestria o temor que Tocqueville manifestara um século antes: a igualação de todos os indivíduos, que foram reduzidos agora à denominação de ouvintes/telespectadores e consumidores. Não é coincidência, portanto, que ela tenha surgido nos Estados Unidos, nação que adotou como exigência máxima a igualdade de todos os seus cidadãos. O que para os federalistas norte-americanos era um projeto político tornou-se, no capitalismo avançado do qual os Estados Unidos são modelares, uma forma sutil de dominação, de consolidação das formas de poder e fortalecimento do sistema. Por isso e com toda razão, Adorno e Horkheimer afirmaram que a indústria cultural é o engodo das massas.

Rafael Cordeiro Silva é professor de filosofia na UFU

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O olhar domesticado

A formação do espectador com senso crítico em relação aos filmes pode passar pela chamada pedagogia das imagens


Lisandro Nogueira

O sucesso de um filme da indústria do cinema deve-se, em parte, ao fato do espectador vê-lo somente uma vez. O avanço da indústria do cinema, a partir dos anos 30 do século passado, fez crescer a quantidade de filmes oferecidos ao público ávido por novidades. É impossível acompanhar tantos lançamentos e, principalmente, ver, mais de uma vez, um título. Acresce-se a isso o deficiente trabalho de formação educacional que vise uma "pedagogia das imagens".

Talvez estejam nesses dois fatores duas grandes dificuldades para a formação de pessoas com senso crítico em relação aos filmes, sendo uma delas o fato de serem capturadas logo no primeiro olhar. Como geralmente não têm oportunidade de rever as narrativas, ou de terem uma boa formação para as imagens (cinema, etc), ficam trancafiadas no que denomino "olhar domesticado": um olhar preso ao senso comum das histórias contadas com imagens em movimento e ao círculo vicioso das narrativas previsíveis que viciam o gosto e não despertam o senso do juízo estético.

Por outro lado, esse espectador é "soberano"; seu olhar é "complexo", pois depende de inúmeros fatores para se formar e estabelecer balizas intrínsecas e externas, tanto que alguns afirmam ser quase impossível afirmar a existência de um "olhar domesticado".

Isso, em parte, é verdade, e compartilho com a noção de soberania e complexidade do olhar. Porém, a minha experiência como professor me permite lançar breves indagações que considero pertinentes.

A formação de professores (multiplicadores para o exercício da fruição estética), que pode contribuir para a educação do olhar, e o simples exercício de rever um filme por parte de qualquer indivíduo são abordados para mostrar como o espectador pode usufruir da apreciação de filmes e programas televisivos, criando, desta forma, um olhar com trânsito mais livre, aberto a novas possibilidades narrativas.

Durante um tempo trabalhei com a formação de professores da rede pública. O objetivo era iniciá-los no ambiente das imagens cinematográficas e televisivas, visando à utilização pedagógica de filmes e programas em sala de aula. Uma das primeiras constatações: os professores são apreciadores contumazes da televisão. A cultura cinematográfica é incipiente e conhecem pouco sobre as cinematografias fora do universo hollywoodiano.

O antídoto imediato que pensei para esse estado de coisas foi o de mostrar as cinematografias que se opõem ao modelo narrativo predominantemente americano. Minha ideia era voluntariosa: ao exibir o "filme de arte" (conceito bastante "danoso" quando se pensa o processo de formação) imaginava que a questão estaria resolvida. Ao mesmo tempo em que resgataria o professor do "cipoal coercitivo" da indústria cultural, lhe daria instrumentos para combater os filmes hollywoodianos na batalha entre o "bom filme" (de arte) e o "mau filme" (cinemão).

Um momento hilário nesse processo foi o da exibição para professores, alunos e comunidade escolar do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Cônscio do exercício de formação, apresentei as credenciais do cineasta, contextualizei historicamente a narrativa e vi minhas intenções naufragarem depois de 20 minutos após o início do filme.

Glauber Rocha é um dos mais importantes cineastas do mundo. Seus dois filmes, Deus e o Diabo e Terra em Transe, são respeitados e admirados. Todavia, num processo de formação, ele pode fazer parte (e fez), mas deve vir depois de um intenso e árduo trabalho com os filmes da escola clássica - americanos na origem e encontrados nos quatro cantos do planeta.

O processo de formação foi completamente reformulado. Após a constatação de que o antídoto para o "olhar domesticado" estava na fruição dirigida e na dissecação do "filme clássico", o horizonte se abriu para uma perene "pedagogia da imagem".

Um dos exercícios mais eficazes foi exatamente o de ver o filme mais de uma vez. A partir daí, dissecá-lo, desconectar as partes e "refazê-lo" na cabeça de cada participante.

Realizar conjuntamente a dissecação de um filme clássico (dos anos 30 até os anos 60) ou de estrutura clássica (o filme clássico contemporâneo) foi um dos melhores exercícios com os professores. Vimos Crepúsculo dos Deuses, filmes americanos dos anos 50 - fonte para os dramaturgos das telenovelas brasileiras - e filmes contemporâneos. Observaram que existem filmes e filmes americanos, ou seja, perceberam que Scorsese, Nicholas Ray, Elia Kazan, Orson Welles são tão bons quanto qualquer cineasta "de arte".

Aos poucos, compreendendo o processo de construção da narrativa (trama, conflito, personagens, tempo, espaço e duração), os professores foram reconhecendo as estruturas e começaram a fazer perguntas sobre o seu próprio olhar em relação aos filmes, novelas, etc. Em seguida, vimos novelas e até telejornais. No final do curso, mostrei filmes do cinema moderno: Ladrões de Bicicletas (De Sica), Acossado (Godard) e Terra em Transe (Glauber Rocha). Os professores não só gostaram bastante desses filmes como retiraram da cabeça a ideia equivocada de que são filmes "de arte", complicados, herméticos.

Penso que a formação educacional, principalmente uma "pedagogia das imagens", pode contribuir decisivamente para que os multiplicadores (professores e outros formadores) possam oferecer novas maneiras de estabelecer o olhar livre, olhar que permita ao espectador confrontar seu contexto histórico, seu cotidiano, sua formação, seus afetos com a experiência estética, seja através dos filmes ou dos programas de televisão.

Desta forma, a soberania do espectador se completa sem a tutela dos pseudoformadores, aqueles que estão em lados opostos: os primeiros, execrando filmes e novelas que o público gosta e admira sem conhecer de perto o contexto do "olhar domesticado"; e os outros, pela exaltação desmedida da afirmação de que "gosto não se discute".
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Publicado no Jornal O Popular em 14 de fevereiro de 2011.

MinC lança novo sistema de análise de projetos

Na última semana o Ministério da Cultura promoveu, em Brasília, a 184ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), para avaliar projetos culturais que solicitam autorização para captar recursos com apoio na Lei Rouanet. A plenária reuniu membros da Comissão, gestores e técnicos do MinC.


Os pareceres dos projetos foram realizados por meio de uma nova ferramenta, o Módulo de Análise do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic). De acordo com o MinC, “o módulo traz maior celeridade aos processos analisados, além de unificar eletronicamente as informações necessárias, dispensando o manuseio dos processos físicos”.

Os membros da Comissão agora também podem ter acesso aos projetos antes das reuniões. “Com a implantação, há a possibilidade de uma análise remota, ou seja, os membros podem atuar antes das reuniões mensais, garantindo maior agilidade, segurança e qualidade na tramitação dos projetos. A ferramenta traz maior dinamismo e abre espaço para a discussão de temas estratégicos para a CNIC, como súmulas e moções, além de uma agenda de palestras de gestores do MinC e representantes da sociedade”, explicou Henilton Menezes, secretário de Fomento e Incentivo à Cultura.

O módulo foi elaborado pela Diretoria de Desenvolvimento e Avaliação de Mecanismos de Financiamento da Sefic, em parceria com a Coordenação-Geral de Tecnologia da Informação.

*Com informações do site do MinC